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SOBRE PORTUGAL
HISTÓRIA DE PORTUGAL
  
Pré-História
A partir de 1000 A.C. a Península passa a ser habitada pelos povos Celtas que vêm do norte e centro da Europa. Acabam por se misturar com os povos que já lá estavam, descendentes das primeiras migrações Indo-Europeias.

Foto: pinturas rupestres, Foz Côa

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Época Romana (séc. III A.C. até séc. IV D.C.)
A partir de III A.C. e depois de alguma resistência por parte dos Lusitanos, todo o território ibérico fará parte integrante de Roma por largos séculos. A língua portuguesa é herança desta época, é uma língua neo-latina (que é, actualmente a sexta mais falada no Mundo). Nessa época o actual território português fazia parte da Ibéria romana. Como todo o Império, também esses territórios vão ser cristãos romanos.

Desagregação do Império Romano (séc. IV, V)
Todo o Império Romano do Ocidente é ocupado por tribos germânicas, mais ou menos violentas, que acabam por se fixar um pouco por todo o lado. Acabam por adoptar a religião cristã e alguns costumes romanos anteriores. Cruzam-se com as populações anteriores. 
Período Visigótico
Os Suevos estabelecem um reino com sede em Braga que agrega o território da Galicia (actual Galiza, ao norte de Portugal) e de grande parte da Lusitânia. O outro reino concorrente é estabelecido em torno dos povos visigodos. Estes, em 585, conquistam Braga e aniquilam o reino suevo. A partir daqui toda a Península Ibérica fica unificada sob o reino visigodo até à chegada de novos invasores.

A Época Árabe (séc. VIII-XII)
Depois da morte do profeta Maomé, vai-se iniciar um espectacular movimento de conversão e conquista árabe, com epicentro na Arábia e estendendo-se em direcção a ocidente, tomando todo o Magreb e, em 711, toda a Península Ibérica.
A civilização árabe peninsular, com sede na Andaluzia (Espanha), foi uma civilização refinada, cientificamente avançada, e religiosamente tolerante. Estiveram de 711 até cerca de 1189, quando Silves, no Algarve, foi tomada (Córdova e o Reino de Granada só seriam tomadas por Espanha em 1492). A presença árabe foi mais intensa no Sul da Península Ibérica.

A Formação do País e a Época Medieval (I dinastia, sécs. XII-XV)
A partir de 1139 Portugal passa a ser um reino independente, arranjando espaço entre os castelhanos a leste e os árabes a sul. Portugal está na linha da frente de atrito entre duas civilizações religiosas diferentes (a Cristandade e o Islão). A Sul estão os mouros, e vão ser conquistados com a ajuda de outros cruzados cristãos do Norte da Europa. Portugal adquire as suas fronteiras muito cedo e estão praticamente inalteradas desde então.

Segunda Dinastia
Na sequência de uma crise dinástica a independência do país esteve francamente ameaçada, e o reino de Castela por pouco não terá absorvido Portugal no seu território. No seguimento da Crise de 1383-85, surge um líder que há-de tornar-se rei dos portugueses, o príncipe João, mestre de Avis, que se tornará o rei D. João I (foto).
Portugal não conheceu o feudalismo como a Europa Central, não sendo um reino atomizado em feudos. A Idade Média é uma época de (lenta) prosperidade económica e militar que será coroada pela fase seguinte: uma aventura marítima de um pequeno povo que controlou grande parte do comércio mundial durante cerca de um século. E que iniciou a globalização.



Os Descobrimentos (sécs. XV, XVI)
A expansão para Sul, em direcção ao Algarve, continuou além-mar. Primeiro em Marrocos, tomando muitas praças como Ceuta e depois, contornando África pelo oceano em direcção à Índia.
Portugal sempre pertenceu à Europa mas muito por causa da sua posição excêntrica, no extremo ocidental, teve uma vocação Atlântica desde cedo. Com as descobertas técnicas da arte de marear mais recentes, muitas delas inventadas pelos sábios da corte portuguesa, os homens fizeram-se ao mar. Descobriram o caminho marítimo para a Índia em 1499 (com Vasco da Gama), o Brasil em 1500 (com Pedro Álvares Cabral), sendo também os portugueses os primeiros europeus a atingir o Japão em 1543. 
Assim, durante meia centena de anos Portugal controlou o comércio das especiarias com o Oriente. Pelo caminho, os Portugueses foram fazendo feitorias e fortificações, em Marrocos, Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique, Moçâmedes, Damão, Diu, Goa, Malaca, Macau, Timor...
Especialmente Goa, na Índia, foi muito intervencionada com arquitectura portuguesa, sendo muitas vezes conhecida pela Roma do Oriente. Foi também um português, Fernão de Magalhães, a chefiar a primeira circum-navegação do mundo (sob bandeira espanhola).

Rei D. Sebastião (foto)
O crepúsculo do período mais genial da história de Portugal é marcado por um  rei sonhador, com a mentalidade de um D. Quixote, um rei medieval fora de tempo, que levou Portugal ao desastre de Alcácer Quibir em 1578. Em Marrocos, um grande exército português foi derrotado pelos mouros dos sultões É a derrota que levará à perda da independência, o rei não deixara descendência e as forças vivas da nação evaporaram-se nas areias do deserto. Na psicanálise de Portugal podemos apontar este como um trauma nacional. E também é uma origem do saudosismo, e de uma certa melancolia nacional.






Terceira Dinastia: Os Reis Espanhóis (1580-1640)
Por questões dinásticas, em 1580, e em consequência de Alcácer Quibir (foto), a coroa passa para o domínio dos Filipes de Espanha. Três castelhanos foram reis dos dois reinos ao mesmo tempo (usavam um título duplo "segundo de Espanha, primeiro de Portugal"). Não foi uma época de total opressão mas o povo português quis ser independente de Espanha. O sentimento nacional foi mais forte. Em 1640, liderados por D. João (que seria o rei da próxima dinastia) restaura-se a coroa com rei português.


Quarta Dinastia: Restauração (1640-1680)
As batalhas com os vizinhos espanhóis, na sequência da restauração da coroa com rei português, prolongaram-se durante décadas. Portugal resistiu sempre, estando não poucas vezes em situação muito precária. O país ficou esgotado. É a época em que aparecem muitos edifícios do chamado "estilo chão" que é a arte de construir bem com poucos recursos.
Desta época são feitas muitas construções militares que estão um pouco por toda a parte em Portugal continental, especialmente na zona fronteiriça, com aquelas muralhas e fortes atarracados para a moderna guerra que a artilharia obrigava.

Época Barroca (1680-1800)
O rei D. João V marca o auge do regime monárquico e ultramontano, é a segunda época de grande esplendor na arquitectura e disciplinas associadas. A coroa portuguesa vive um espectacular fausto económico com a exploração das minas do Brasil.
É marcada por um acontecimento trágico, o terramoto de 1755, que destruiu o Algarve e a capital. Depois dele há uma figura resoluta que emerge dos escombros, o Marquês de Pombal (foto), que, com um espírito pragmático, autoritário e racionalista, reconstrói Lisboa dando-lhe um urbanismo em retícula. A baixa pombalina é a primeira construção em série com caracterísiticas anti-sísmicas.

Invasões Francesas (1807, 1809, 1810)
Depois da capitulação da Alemanha, a França napoleónica, no princípio do século XIX, vira-se para a Ibéria e Portugal não escapa e essa expansão militar. O país vai sofrer três invasões sucessivas naquilo que são chamadas como "As guerras peninsulares". A guerra é feroz, a resistência é tenaz, com ajuda do aliado tradicional de Portugal, a Inglaterra.
Os reis portugueses mudam-se para o Brasil, juntamente com milhares de membros da corte, e daí a resistência e todas as manobras da política internacional. É um caso único na história mundial em que a corte comanda, a partir da colónia, operações na metrópole.

Guerra Civil     (1820-1834)
O rei não regressou do Brasil depois dos franceses se terem retirado e o descontentamento com uma certa dominação inglesa instalou-se. Os franceses tinham deixado o espírito da Revolução Francesa, a sublevação popular e liberal estava na ordem do dia. Em 1820 dá-se uma revolta no Porto que é seguida por uma em Lisboa. O povo quer as cortes, que o rei regresse, que se escreva uma carta constitucional inspirada na Constituição Francesa de 1791.
Dois herdeiros, D. Pedro e D. Miguel, vão disputar o controlo da coroa com projectos monárquicos opostos. O primeiro pretende uma monarquia liberal e moderna, o segundo pretende um estado absolutista. A guerra civil vai varrer a ferro e fogo todo o país, sendo que D. Pedro acaba por ganhar na batalha nos arredores de Évora em 1834. A partir daí Portugal será uma monarquia liberal até ao seu fim.

Fim do Século XIX
A partir de meados deste século até ao fim viver-se-á em Portugal um clima de razoável estabilidade e uma industrialização embrionária em algumas partes do país.
Entretanto dá-se o Ultimato Inglês em 1890 (Portugal queria unir Moçambique a Angola o que colidia com os interesses ingleses de unir a África do Sul ao Egipto). O povo quer as armas mas o rei, sensatamente, recusa a guerra.
Os movimentos republicanos começam a ter forte presença no país, havendo uma revolta republicana no Porto em 1891. Estes factos e outras tensões sociais levaram ao assassinato a tiro do rei D. Carlos (foto) em 1908. A monarquia cairá dois anos depois. E com ela findará a quarta dinastia de reis portugueses.



Primeira República (1910-1926)
Portugal é uma República centenária. A primeira (de três) foi extremamente confusa e instável. Os governos sucediam-se e, de vez em quando, havia atentados à bomba e a tiro. Revoltas monárquicas, greves, tiros de artilharia.
Em 1917 o corpo expedicionário português participou na primeira guerra mundial, sob comando inglês na Flandres. Os alemães fizeram uma grande ofensiva que incidiu no ponto das linhas onde estavam os portugueses. Estes foram esmagados por um poderio muito superior mas aguentaram o tempo suficiente para as linhas não se romperem.
Em Portugal depois da I Grande Guerra a situação política deteriorava-se. 16 anos e 50 governos mais tarde o país estava em profunda instabilidade social.

Estado Novo (1926-1974)
Em 1926 os militares amotinaram-se contra o estado caótico da Primeira República e fizeram um golpe de estado. Foi a ditadura mais longa da Europa (1926-1974). Esse golpe transitou para um governo mais longo a partir de 1933. De Coimbra emerge um professor universitário que promete e consegue organizar as finanças do país, o seu nome: Salazar (foto), que é, sem dúvida, a figura que mais marcará o século XX em Portugal. O regime era autoritário, pró-católico, de inspiração fascista mas comparativamente brando. O grande lema era "Deus, Pátria e Família".
O ponto alto do Estado Novo foi em 1940 quando se fez em Belém a Exposição do Mundo Português (de que resta o Padrão dos Descobrimentos, uma peça que faz parte da identidade lisboeta e nacional).
Portugal manteve-se neutral durante a guerra de 1939-1945. A partir da II Guerra Mundial o regime tenta-se reinventar mas progressivamente vai ficando mais isolado no panorama internacional. Especialmente com o advento das guerras coloniais que duraram de 1961 a 1974. As populações de Angola, Moçambique e Guiné revoltaram-se contra a ocupação portuguesa e encetaram guerras de libertação. Essas guerras foram de guerrilha, uma espécie de Vietname português em três frentes. Toda uma geração foi mobilizada para África. A eternização destas guerras foi uma das razões da queda do regime do Estado Novo, provavelmente a mais determinante.
Em 1968 Salazar tem um acidente, cai de uma cadeira, batendo com a cabeça. É substituído pelo seu delfim Marcelo Caetano que tentará uma abertura do regime, mas esta é malograda e contraditória e não agradou nem aos que queriam mais reformas, nem aos mais conservadores.

Democracia (1974 até hoje)
Em 25 de Abril de 1974 o regime caiu numa revolução pacífica e apoiada pela maioria da população. A economia quase colapsou. Até à década de oitenta houve um período de instabilidade e de crise económica que se foi esbatendo. O grande receio dos Estados Unidos, e de muitos países do Ocidente, é que Portugal se transformasse numa Cuba europeia. Viveu-se um clima de quase guerra civil mas a partir do fim dos anos setenta a sociedade foi estabilizando.
Muitos dos habitantes das ex-colónias (portugueses ou luso-descendentes) regressaram e foram absorvidos na sociedade em poucos anos.
Data de 1985 a adesão à Comunidade Europeia. Os portugueses são maioritariamente europeístas. Hoje, apesar dos problemas normais de uma democracia, vive-se um estado de direito estável e duradouro, em que dois partidos centrais alternam no poder, com ou sem alianças com outros partidos. 
As décadas de oitenta e noventa assistiram a grandes, profundas e rápidas transformações na sociedade, o país passou de agrícola a um país de serviços. A alfabetização cresceu muito nas últimas décadas, e indicadores do conforto das populações melhoraram espectacularmente, como a taxa de mortalidade infantil entre outros rácios. Hoje podemos afirmar que Portugal, embora com alguns problemas estruturais, é um país com bastantes características dos países desenvolvidos.
E com 800 anos de História como nação.