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CULTURA DE PORTUGAL

A Saudade

A saudade é uma das palavras portuguesas mais difíceis de traduzir. É uma palavra-conceito do sentimento da perda, da esperança num reencontro, de distância para o ser amado, de amor por ele. Mas também pelo tempo passado, e mesmo pelo que não se viveu. É sempre um sentimento parente da melancolia e é muito veiculado pelo Fado.


Um dos aspectos da Saudade é o Sebastianismo, mito que se cruza com o mito europeu do rei Encoberto que irá voltar. Desde a época do rei D. Sebastião que Portugal sonha com alguém excepcional que irá voltar para recuperar a grandeza perdida. Um regresso que será sempre numa manhã de nevoeiro.

D. Sebastião (1554-1578) é uma figura central no imaginário mítico nacional. A sua ideia era destruir os muçulmanos para sempre para que a cristandade reinasse no mundo. Figura histórica, arrastou a nata da nobreza nacional para uma cruzada quixotesca terras adentro de Marrocos. Desaparecido, a lenda instalou-se logo, o rei não estava morto e haveria de voltar, num episódio de denegação colectiva. Não tendo deixado descendência, a coroa portuguesa foi absorvida pelos familiares mais próximos, que eram espanhóis. Os reis Filipes reinaram sobre a Ibéria e América Latina todas durante 60 anos (até 1640).
Conta-se que, nas areias africanas, por entre os corpos dos portugueses, se encontravam mais alaúdes do que armas, o que espelha bem o quão mal preparada foi essa campanha e, simultaneamente, o aspecto lírico e sonhador do seu dirigente.

Religião

Desde a sua fundação que Portugal foi um país que contou com Roma como o seu guia em assuntos religiosos. Nunca participou nem houve heresias no território, nunca vacilou aquando das convulsões na Europa Central. Sempre pertenceu à parte católica da cristandade. Assim sendo, é um país ortodoxo na sua expressão oficial da religiosidade. No entanto, a expressão popular dessa religiosidade muitas vezes faz-se com elementos pagãos.
Hoje em dia, Portugal é um país maioritariamente católico mas muito tolerante em relação às outras formas de espiritualidade, e onde existe o princípio da separação da Igreja e do Estado.

O sítio mais importante da religião em Portugal é Fátima. Em 1917, alegadamente, Nossa Senhora terá aparecido a três jovens pastorinhos. Fátima tornou-se um local de culto do catolicismo de importância mundial. Por vezes chama-se-lhe “altar do mundo”.
O catolicismo, em Portugal, foi um grande motor da arquitectura e das artes durante séculos. 
Hoje em dia, algumas religiõe, como a muçulmana, a hindu, e a budista, começam a ter alguma expressão devido à imigração ou a opções pessoais de alguns portugueses que procuram outros horizontes para expressar a sua fé.

Foto: Santuário de Fátima. Para ver programas com Fátima, clique aqui.

Artes Plásticas

Da pintura antiga há o mestre Nuno Gonçalves, que pintou os painéis de S. Vicente (na foto). Também Grão Vasco, de Viseu, é um pintor antigo de nota. Algumas das suas obras têm uma carga dramática e expressiva muito forte.
No século XX surge um pintor que acompanha e contribui para as vanguardas europeias da arte, o seu nome: Amadeo de Souza Cardoso. Faleceu muito novo. Outro companheiro do modernismo vai marcar o século, Almada Negreiros, que será um autor prolífico em diversos campos das artes e, acima de tudo, um desenhador prodigioso.
Hoje em dia há alguns artistas plásticos de renome internacional: Vieira da Silva, Paula Rego, Julião Sarmento, Helena Almeida, entre outros.

Moda Portuguesa

Portugal tem tradicionalmente uma indústria de lanifícios, vestuário, calçado e têxteis muito activas. De há umas décadas para cá Portugal começou a apostar nos seus estilistas e designers de moda, criando marcas que são uma mais-valia para essa indústria. Nomes como Ana Salazar ou Fátima Lopes, Augustus, entre outros, são conhecidos internacionalmente.

Literatura

Houve os trovadores, na Idade Média, que atingiram altos níveis poéticos, ao nível do que se fazia na Provença de então.
Na altura em que a época áurea dos Descobrimentos se começava a desvanecer apareceu um grande poeta, Camões (na foto), que cantou nos Lusíadas a gesta portuguesa. Embora seja um louvor aos feitos dos navegadores, o poema épico, inspirado em Virgílio, é também uma reflexão crítica sobre a Nação. Além disso, Camões é um grande lírico, tendo deixado centenas de poemas de amor que são inultrapassáveis.

 

Mas o século de ouro da poesia em Portugal é, sem dúvida, o século XX, com Fernando Pessoa à cabeça. A sua obra espalha-se por quatro heterónimos principais (um heterónimo é um autor fictício com características estilísticas próprias). Assim Fernando Pessoa inventou uma dramaturgia de poetas, que eram e não eram ele próprio, e que gerou "toda uma literatura".
Outro poeta, que é actual, é o obscuro Herberto Helder, um autor que não dá entrevistas e não aceita prémios. Tem uma poesia nocturna e visionária, pós-surrealista, alquímica, e algo bizarra.
Nos romancistas destaca-se o incrível Eça de Queirós, escritor novecentista, com um humor, espírito crítico e ironia fantásticas. E, hoje em dia, o nobel Saramago e António Lobo Antunes são muito importantes. O primeiro tem livros como o “Memorial do Convento”, e o “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. O segundo tem livros como “O Manual dos Inquisidores” ou “A Explicação dos Pássaros”. Estes quatro títulos são recomendados para quem queira ler ficção portuguesa actual.

Cinema

O decano do cinema mundial, o centenário Manoel de Oliveira, realizou mais de trinta longas-metragens. Nasceu em 1908, no Porto, e, no princípio de 2009 estava a rodar mais um filme, “Singularidades de uma rapariga loura”, baseado num conto de Eça de Queirós. A sua carreira com mais de setenta anos tendo realizado os primeiros filmes ainda na era do mudo. Os seus filmes são sempre reflexões críticas sobre a história e a cultura de Portugal e o tempo nas relações humanas.

Um outro realizador, que espelha uma realidade lisboeta grotesca, é João César Monteiro, célebre pelo seu comportamento e filmes desviantes, autobiográficos, cómicos e dementes.
Há muitos outros realizadores em Portugal. Nos anos noventa destacamos a aparição de Teresa Vilaverde, que, com o seu “Mutantes”, conta a vida de três jovens que vivem na rua. Hoje em dia, e de há duas décadas para trás, também se rodam filmes puramente comerciais, de acção, ao gosto do cinema de entretenimento americano.

Música

O fado é a expressão nacional mais genuína por natureza. O seu nome vem do latim fatum, que quer dizer destino. É normalmente uma música melancólica e/ou fatalista. O fado canta muitas vezes esse sentimento típico nacional que é a saudade.
No entanto, a música portuguesa não é só fado. Hoje em dia existe uma produção ampla e diversificada de grupos pop/rock nacionais, e sempre houve compositores clássicos, como João Domingos Bomtempo, um mestre internacional na arte da música barroca, infelizmente menos conhecido do que merecia.
Um dos grupos mais interessantes e originais são os Madredeus, que, de certa maneira, fundem uma certa expressão fadística com um toque algo popular.
Noutro quadrante totalmente diverso, existem os Moonspell que têm marcado presença na cena heavy/gótica internacional.

Gastronomia 

Há uma variedade de sopas portuguesas sem fim. O cozido à portuguesa é um prato divinal, de uma variedade de enchidos, carnes e legumes, arroz, tudo cozido que é um regalo para o estômago.
Um dos produtos de qualidade produzidos em Portugal é o azeite, que serve para temperar saladas e batata cozida. Esse é um dos elementos essenciais da chamada dieta mediterrânica que é hoje louvada pelos nutricionistas. A arte de fazer pão é apuradíssima em Portugal e as variedades são infinitas e deliciosas.

Há um prato de enchido chamado "alheira" que foi inventado pelos Judeus aquando das perseguições do século XVI. Inventaram um enchido com carne de aves para fingir que comiam um enchido de carne de porco para não serem notados. Hoje é um dos pratos nacionais. E, no fundo, um símbolo do engenho humano em resistir às perseguições.
 Além disso há uma grande variedade de peixes nas mesas portuguesas. Os mais populares são os carapaus e sardinhas assadas. Não esquecendo uma pedra basilar da cultura, o bacalhau. Os portugueses desde há séculos que vão pescar o bacalhau à Noruega e à Terra Nova. Inventaram-se dezenas de pratos com este peixe, que são maravilhas para os apreciadores de bom garfo.

Os pratos de marisco capturado nas costas portuguesas existem como feijoadas, e açordas, e arroz de marisco. Entre outras iguarias com marisco.
E depois os doces, com tradições conventuais, muito à base de ovos, onde surgem por vezes nomes engraçados e irónicos como "barriga de freira", "toucinho-do-céu", "jesuítas", entre tantos outros.

Queijos

Portugal tem uma tradição queijeira muito apurada, mercê das actividades transumantes de rebanhos por todo o país. Actividades que ainda podem ser observadas em muitos locais. Os queijos de ovelha são um pitéu de raro apuro para o paladar.
O Queijo da Serra é feito a partir de leite de ovelha, na Serra da Estrela. É um queijo curado, com pasta semimole, amanteigada de cor branca ou amarelada.
O queijo de Serpa, que se produz nesta região do Alentejo profundo, é um queijo que é guardado, pelo menos, durante um mês nas queijarias em ambiente fresco e húmido até se tornar um queijo com a maturação adequada.
Há também o excelente queijo de Azeitão, feito com rebanhos que pastam nas encostas da Serra da Arrábida.

Vinhos

Portugal é um excelente produtor de vinhos de grande qualidade e tem uma variedade riquíssima deles. O mais famoso, e justamente famoso, é o Vinho do Porto, que é um vinho licoroso com um grau elevado, de 16 a 22 º, encorpado mas de aroma e paladar muito finos.
Outro vinho de grande qualidade, mas de características diferentes, é o vinho produzido na ilha da Madeira que é um vinho usado como aperitivo ou digestivo. Também como vinho licoroso existe o Moscatel de Setúbal, de grande sabor e qualidade.
O vinho verde é típico do Minho tendo normalmente um sabor fresco e jovem, muito levemente ácido.

Para acompanhar pratos de carne não é nada mal escolhido um vinho do Alentejo ou do Douro, entre tantas outras regiões demarcadas de Portugal. São vinhos de sabor mediterrânico e continental, com muitas horas de insolação que fazem a uva ficar muito madura. Fortes e aromáticos.
 Muito típico e popular é o licor Beirão, preparado com eucalipto, canela, alecrim e alfazema, tendo um sabor muito forte e doce.